Sei que já falei sobre Madonna aqui outras vezes. E sei que pode ser cansativo. Mas eu preciso colocar no "papel" tudo o que eu estou sentindo agora, depois de voltar do Rio de Janeiro e de vê-la pela primeira vez. Afinal, foram 10 anos de espera.
Para começar, quando anunciaram a vinda de Madonna eu já tinha certeza que estaria lá, não importava o que tivesse que fazer para isso. Ninguém me impediria de entrar naquele Maracanã no dia 14 de dezembro. E sim, precisava ser no Rio de Janeiro e no Maracanã. Não servia outro lugar.
A venda de ingerssos estava prevista para o dia 1º de setembro, exatamente duas semanas depois do anúncio da vinda da Rainha. E eu ainda não sabia como conseguir dinheiro. Mas consegui, não sei como, virar 162 reais. E o primeiro problema estava resolvido. Aparentemente, a venda de ingressos seria tranquila. Nada parecido com o que foi a venda de ingressos do U2. Era preciso criar um cadastro no site até uma data X, era feita uma simulação da compra e a venda era restrita a alguns cartões. Mas, não foi assim que aconteceu. Um amigo tentou, durante toda a madrugada, comprar o meu ingresso e não teve sucesso. Eu tentei durante boa parte da tarde, sem sucesso também. Até que uma certa Luluzinha, um anjo ou qualquer coisa semelhante, conseguiu fechar a minha compra. Eu já não estava mais em casa no horário, tinha uma prova bastante importante naquele dia. E eis que o meu telefone toca, no meio da tal prova, com uma segunda Luciana me liga. Entreguei a prova sem fazê-la por completo, mesmo precisando da nota, e saí da sala para atender o telefonema. MEU INGRESSO ESTAVA COMPRADO! Eu não consegui conter a emoção que era a CERTEZA de ver a Rainha e comecei a chorar ali mesmo. Foi algo entre felicidade e não conseguir acreditar que tinha acontecido (embora eu nunca tenha perdido a fé de que iria nesse show). E todas as pessoas que passavam, conhecidas ou não, eram forçadas a ouvir que eu iria ao show.
E então, começou o período da ansiedade. Comecei a contagem regressiva para o show faltando exatos 114 dias. E parecia que não chegaria nunca, era tempo demais e eu queria que fosse no dia seguinte da venda de ingressos. Mas, o que eram 114 dias pra quem já havia esperado 10 anos? NADA. E contei cada um daqueles dias extremamente feliz, porque eu sabia o que aconteceria ao final daquela contagem: um dos melhores dias da minha vida.
Quando a semana do show foi se aproximando, Madonna ocupava os meus pensamentos quase que integralmente. E os meus ouvidos então, pff, nem se fala. Não conseguia escutar outra voz. Ouvia o áudio do primeiro show da tour incansávelmente (excluindo Like a Prayer, mas essa história conto mais tarde). E sonhava (literalmente) com tudo o que poderia acontecer. Sonhei que fiquei na grade da pista (e realmente aconteceu!), que estava entre os 100 primeiros da fila (aconteceu também!), que era uma das primeiras pessoas a pisar no Maracanã e que ele estava vazio quando eu entrava (aconteceu também, porque nunca corri tanto na vida). E claro, sonhei com ela. De várias maneiras. E já não me lembro nem da metade dos sonhos. Mas sempre acordava feliz porque sabia que meu sonho se realizaria, ao contrário do que aconteceu em anos anteriores quando ela saiu em turnê.
E chegou o dia de viajar para o Rio de Janeiro, exatos dois dias antes do show. 12 de dezembro. Carreguei o meu mp4 com músicas da Rainha, sem deixar sequer um espaço para outros artistas e fui até o Rio acordada, a ansiedade não me deixava dormir um segundo. Agora era só esperar até o dia seguinte, ir para a fila e depois entrar no estádio para vê-la. Tão pouco e parecia passar em slow motion. Mais lentamente que os outros 112 dias que antecederam. Para conter a ansiedade, fui até a porta do Copacabana Palace esperar por ela. E nem vale a pena dizer que foi em vão né? Mas vi algumas pessoas que não esperava ver nunca, ri bastante de alguns fãs que também estavam no aguardo de qualquer movimento vindo do 6º andar do hotel...Enfim, apesar de achar que é coisa de tiete, me diverti muito fazendo isso. Ah, um fato interessante: quando resolvi sair da porta do hotel para comer alguma coisa, encontrei uma tiazona que me jurou que Madonna só tem uma música conhecida: Like a Virgin. Me segurei para não rir da cara dela pois ela estava me dando dicas de como perseguir um outro ídolo e conseguir beijá-lo.
Não preciso dizer que também não dormi na madrugada de ir para a fila do Maracanã, preciso? As 4h30 da manhã estava devidamente arrumada, com as bolsas prontas e acordando todos os meus companheiros (que dormiram em média 3h naquela noite) para irmos. E claro, alguns queriam que eu desaparecesse no ar, mas pouco importava. E uma vez que todos estavam devidamente vestidos, saímos rumo ao Maracanã (e sou capaz de apostar que ele nunca paareceu tão distante pra alguém. Achei que chegaria ao Acre, mas não chegaria naquele estádio). Quando chegamos, Arthur já esperava pela gente, cercado por todas as bichinhas adolescentes do mundo, como todos sabiam que ele estaria. A fila estava pequena, mal pude acreditar. Ai, começou a parte favelada da coisa. Passamos 11h sentados em jornais, comendo porcarias, falando besteira, dizendo "não, obrigada" a vendedores, pedindo desconto em produtos que eram vendidos (né Mari? Mas pelo menos você conseguiu a camisa!), sendo mal educados com outros tantos que também eram grossos, rindo, ouvindo Madonna e pensando nas nossas reações quando cada música fosse tocada. E nessa parte entra a minha história com Like a Prayer: essa sempre foi a minha música preferida da Madonna e eu queria que fosse uma surpresa. Portanto, não ouvi nenhum áudio, vi nenhum vídeo ou li algum comentário sobre a performance. E todo mundo me dizia que era uma das melhores do show, que eu iria passar mal quando assistisse. Bem, o que realmente aconteceu entra mais pro final da história.
Na fila também encontrei pessoas que "conheço" há anos. Como a Luluzinha, minha salvadora, Marcus, Hermes, Thiago (foooofo!), Paulinho, Simba (na verdade, conheci na noite anterior, mas ok) e tantos outros. Fiquei muito feliz por vê-los e apesar do pouco tempo que tivemos, me diverti muito com cada um. Vocês também ajudaram a fazer do dia 14/12 um dos melhores da minha vida.
Os portões foram abertos as 18h, como bastante atraso. Já estávamos todos ansiosos, não queríamos esperar mais nada para ver a Rainha. O show de abertura foi bem desanimado. Quase ninguém dançava, todos estavam se poupando para o que viria dali a 1h. Acho que de todo o dia, a parte que passou mais arrastada foi o show de abertura. Queria que alguém pulasse no palco e jogasse Paul Oakenfold para fora dali, para que Ela pudesse entrar logo. Tão logo acabou o show de abertura, começou a chuva. Todos sabem que Madonna detesta chuva. Ela ficaria emburrada o show inteiro e teria um daqueles caras feios segurando a sombrina para ela enquanto estivesse cantando as músicas que são performadas no catwalk. Não queria! Não podia acontecer. Mas, a chuva insistia e Madonna entrou no palco visivelmente irritada.
De onde eu estava, o público parecia meio morno nas duas primeiras músicas. Porém, quando começou Human Nature, aquele estádio se transformou e todos começaram a cantar enlouquecidamente. O que só ficou ainda mais forte em Vogue, uma das músicas mais esperadas da noite por mim. O primeiro bloco do show passou tão rapidamente que quando eu dei por mim, já estava assistindo ao vídeo de Die Another Day, onde ela aparece vestida de boxeadora (e LINDA).
O segundo bloco começou com Into The Groove e um tombo de Madonna. Que ficou visívelmente irritada, mas disse "fuck it" e daí pra frente, parece que o show começou a fluir com mais naturalidade. Ela se soltou, conversou com o público (mesmo que pouco), chorou em duas músicas do terceiro bloco (o que me fez chorar também e compulsivamente). É ainda disse "I must love you" ao final de You Must Love Me, o que me fez enlouquecer completamente.
La Isla Bonita foi outro momento mágico do show, bem como Miles Away. Na primeira, quando olhei para a área vip, todas as pessoas estavam dançando como ciganos e batendo palmas no rítimo da música. E de onde eu estava também todos batiam palmas (dançar era impossível, a menos que as 29 mil pessoas que estavam espremidas daquele setor o fizessem ao mesmo tempo). Miles Away porque eu comecei a lembrar de tanta coisa, mas de tanta coisa e aquilo começou a me deixar meio abatida, meio pensativa, mas acabei de esfolar a minha garganta (era o que eu achava) cantando essa música. Músicas que soam meio biográficas me tiram completamente do sério. E nesse momento, outra imagem linda: toda a arquibancada, o lado esquerdo da pista e a pista VIP com as mãos pro alto, batento palmas junto com ela e cantando o "so far away" que tanto me fez chorar.
E finalmente, começa o 4º bloco e para mim, o mais surpreendente do show. Primeiro, porque eu não gostava das versões de 4 Minutes, Hung Up e Ray Of Light. Depois, porque Like a Prayer fazia parte desse bloco e eu ainda não sabia o que me esperava. Quando começou a introdução de 4 Minutes e todo o Maracanã começou a cantar, mais animado do que nunca, e eu percebi que ela funcionava perfeitamente ao vivo. Não sei se pela emoção de estar olhando pra Madonna (porque no meu caso, até Jimmy Jimmy funcionaria bem) ou porque os fãs são exigentes demais e não tinha nada nessa performance que já não tivesse sido apresentado na promo tour do Hard Candy. O mesmo serve para Hung Up e o péssimo riff de Satisfaction dos Stones e Ray Of Light, que nada mais é do que uma repetição da turnê anterior. As três foram as faixas mais pulsantes do show, surpreendentemente. Ao fim de 4 Minutes, todas as pessoas que estavam comigo, começaram a me olhar, esperando que eu fizesse algum acoisa. E eu não consegui entender nada do que estava acontecendo até que um "and it feels like" foi cantado. Era Like A Prayer! O meu momento. E eu não conseguia me mexer, fiquei completamente petrificada e soluçando. Vez ou outra sentia alguém pegando os meus braços e balançando, tentando me fazer pular. Até que lá pelo meio da música finalmente consegui e aí, minha garganta começou a doer de uma maneira insuportável (o que não me pediu de cantar todas as outras músicas do show!). Falta mencionar a request song, que foi aquela do show de Cardiff e da maioria dos shows da tour: Express Yourself, mas que eu fiquei MUITO feliz por ouvir. Porque pude olhar pro lado e ver a felicidade que eu sentira ao ouvir Like A Prayer no rosto da minha irmã. Já que Express Yourself é a música preferida dela. Enfim, não precisava de mais nada para que eu considerasse tudo perfeito, mas Madonna não se deu por satisfeita. O encerramento ficou por conta de Give It 2 Me, uma das minhas preferidas de Hard Candy desde o lançamento, em uma versão que primeiramente achei confusa mas que depois de algumas ouvidas, me acostumei e aprendi a gostar. Mais uma vez, o estádio enlouqueceu! E o ápice da loucura veio quando Madonna desceu do palco. Não conseguia acreditar que ela estava fazendo aquilo. Foi lindo! E, como se não bastasse quase matar 80 mil pessoas durante o show, Madonna nos mata ao sair do palco colocando Holiday pra tocar e fazendo todo o estádio (ainda em estado de graça) começar a dançar!
E não teve chuva, não teve garganta, não teve cansaço físico que me fizesse deixar de aproveitar um segundo do show. Na volta pra casa, ainda loucos por causa da loira, cantamos as músicas pela rua, alguns dançaram Nobody Knows Me em esteiras e todo mundo teve mais orgulho ainda de dizer: EU SOU FÃ DESSA MULHER.