Terça-feira, 30 de Junho de 2009

A vida tem sempre razão

"Smile
What's the use of crying?
You'll find that life is still worthwile
If you just smile"

Charlie Chaplin - Smile

"A vida é a melhor coisa que já inventaram"
Gabriel García Marquez - Ninguém escreve ao coronel

Eu acho que, até o presente momento, reclamei demais e sem motivo. Reclamei de não ter dinheiro, de não ter companhia, de não enxergar as coisas em cores - como as shinny happy people que eu tanto quis ser... Uma lista enorme de reclamações. E agora eu já não vejo motivo para tanto. Que foi tudo uma grande perda de tempo. Trouxe algumas reflexões importantes, claro, mas foi extremamente contraprodutivo. Afinal, nunca é a sua última chance de ficar triste, então, porque se demorar na tristeza? E além disso, eu teria chegado às conclusões que cheguei de qualquer maneira. No meu atual otimismo (/pollyanna) gosto de pensar que meu "pensamento filosófico" viria de um modo ou de outro.

As pessoas superestimam a tristeza. Se você não fica triste, não tem vida interior. Você não pensa, não vê toda a merda que está a sua volta. E eu não acho que a vida seja fácil e alegre o tempo todo, mas também não concordo com as pessoas que passam o dia todo sentadas, encarando o teto e pensando sobre o quanto fazer qualquer coisa é vão. vão é não tentar fazer alguma coisa para que os dias pareçam melhores. Acho importante questionar. São os questionamentos que fazem com que as coisas mudem, que nos dão a impressão de movimento.

Porém, até aqui, todas as vezes que questionei se estava mesmo indo no caminho certo, concluí que não. Talvez seja a minha natureza. Insatisfeita, inquieta. Depois de assitir a Harold And Maude e aprender com Maude como apenas estar respirando pode ser prazeroso, eu resolvi apenas respirar. Mas, a epifania que mudou completamente a minha maneira de encarar as coisas veio em sonho: eu estava cursando Direito. Explicando melhor, eu sempre tive dúvidas quanto a faculdade que faço. E isso, às vezes, tomava proporções maiores do que se pode imaginar. Não conseguia ter certeza de que era certo para mim. Ou se o medo de disperdiçar um outro ano em cursinhos preparatórios havia me levado na direção errada. Pois bem, sonhei que estava cursando Direito - tal curso nunca foi umas das minhas opções. E no sonho, eu pedia desesperadamente a coordenadora do meu curso antigo (Letras) para que deixasse as matérias de literatura na minha grade, pois esta sempre foi a minha paixão. E ela dizia que não era possível. Acordei com a certeza de que estou fazendo o certo e que não poderia ser outra coisa. Não existe mais nada pra mim. Nada que me complete e me faça tão feliz.

E por fim, ouvi a música que deu o título a esse post. Foi o fechamento perfeito para tudo. Sim, mal a vida começa ela já está se aproximando do fim. Cada dia a mais é um a menos. Mas porque o percurso não pode ser proveitoso? O trajeto pode valer a pena. E eu tenho planos grandes. Planos de SER grande. E vou realizá-los porque quando você não tem uma voz (/tarssocadore) na sua cabeça te dizendo que nada faz qualquer sentido, produz-se mais e tem-se mais força, mais vontade para ir em frente. E eu vou a qualquer lugar, desde que seja em frente. Não quero soar como um livro de auto-ajuda, mas acho que é inevitável num mundo onde a tristeza é tão cultivada que qualquer um que tente argumentar contra isso soe como tal. E confesso que já não me importo com isso. Que pensem o que quiserem. Afinal, todo mundo é pesado e medido o tempo todo e por qualquer razão. As pessoas são excessivamente críticas quando o assunto é a vida dos outros.

Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

1/200

E quem podia imaginar, no dia 8 de fevereiro do ano passado, que estaríamos comemorando um ano agora? Mas estamos. O primeiro de tantos outros que ainda temos pela frente. Apesar de toda a sabotagem, de algumas torcidas contra, de um monte de gente dizendo que a distância ia acabar com o que a gente tinha deu tudo certo! E vai dar pra sempre porque eu não imagino um dia da minha vida sem você, sabia? E agora eu vou ali ouvir Tanto Amar, All My Loving e todas as nosas músicas porque é isso que a data pede. TE AMO MUITO.

"You're glasses to me"
(E essa é pra entender depois mesmo)

Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

No choice, your voice can take me there

Sei que já falei sobre Madonna aqui outras vezes. E sei que pode ser cansativo. Mas eu preciso colocar no "papel" tudo o que eu estou sentindo agora, depois de voltar do Rio de Janeiro e de vê-la pela primeira vez. Afinal, foram 10 anos de espera.
Para começar, quando anunciaram a vinda de Madonna eu já tinha certeza que estaria lá, não importava o que tivesse que fazer para isso. Ninguém me impediria de entrar naquele Maracanã no dia 14 de dezembro. E sim, precisava ser no Rio de Janeiro e no Maracanã. Não servia outro lugar.
A venda de ingerssos estava prevista para o dia 1º de setembro, exatamente duas semanas depois do anúncio da vinda da Rainha. E eu ainda não sabia como conseguir dinheiro. Mas consegui, não sei como, virar 162 reais. E o primeiro problema estava resolvido. Aparentemente, a venda de ingressos seria tranquila. Nada parecido com o que foi a venda de ingressos do U2. Era preciso criar um cadastro no site até uma data X, era feita uma simulação da compra e a venda era restrita a alguns cartões. Mas, não foi assim que aconteceu. Um amigo tentou, durante toda a madrugada, comprar o meu ingresso e não teve sucesso. Eu tentei durante boa parte da tarde, sem sucesso também. Até que uma certa Luluzinha, um anjo ou qualquer coisa semelhante, conseguiu fechar a minha compra. Eu já não estava mais em casa no horário, tinha uma prova bastante importante naquele dia. E eis que o meu telefone toca, no meio da tal prova, com uma segunda Luciana me liga. Entreguei a prova sem fazê-la por completo, mesmo precisando da nota, e saí da sala para atender o telefonema. MEU INGRESSO ESTAVA COMPRADO! Eu não consegui conter a emoção que era a CERTEZA de ver a Rainha e comecei a chorar ali mesmo. Foi algo entre felicidade e não conseguir acreditar que tinha acontecido (embora eu nunca tenha perdido a fé de que iria nesse show). E todas as pessoas que passavam, conhecidas ou não, eram forçadas a ouvir que eu iria ao show.
E então, começou o período da ansiedade. Comecei a contagem regressiva para o show faltando exatos 114 dias. E parecia que não chegaria nunca, era tempo demais e eu queria que fosse no dia seguinte da venda de ingressos. Mas, o que eram 114 dias pra quem já havia esperado 10 anos? NADA. E contei cada um daqueles dias extremamente feliz, porque eu sabia o que aconteceria ao final daquela contagem: um dos melhores dias da minha vida.
Quando a semana do show foi se aproximando, Madonna ocupava os meus pensamentos quase que integralmente. E os meus ouvidos então, pff, nem se fala. Não conseguia escutar outra voz. Ouvia o áudio do primeiro show da tour incansávelmente (excluindo Like a Prayer, mas essa história conto mais tarde). E sonhava (literalmente) com tudo o que poderia acontecer. Sonhei que fiquei na grade da pista (e realmente aconteceu!), que estava entre os 100 primeiros da fila (aconteceu também!), que era uma das primeiras pessoas a pisar no Maracanã e que ele estava vazio quando eu entrava (aconteceu também, porque nunca corri tanto na vida). E claro, sonhei com ela. De várias maneiras. E já não me lembro nem da metade dos sonhos. Mas sempre acordava feliz porque sabia que meu sonho se realizaria, ao contrário do que aconteceu em anos anteriores quando ela saiu em turnê.
E chegou o dia de viajar para o Rio de Janeiro, exatos dois dias antes do show. 12 de dezembro. Carreguei o meu mp4 com músicas da Rainha, sem deixar sequer um espaço para outros artistas e fui até o Rio acordada, a ansiedade não me deixava dormir um segundo. Agora era só esperar até o dia seguinte, ir para a fila e depois entrar no estádio para vê-la. Tão pouco e parecia passar em slow motion. Mais lentamente que os outros 112 dias que antecederam. Para conter a ansiedade, fui até a porta do Copacabana Palace esperar por ela. E nem vale a pena dizer que foi em vão né? Mas vi algumas pessoas que não esperava ver nunca, ri bastante de alguns fãs que também estavam no aguardo de qualquer movimento vindo do 6º andar do hotel...Enfim, apesar de achar que é coisa de tiete, me diverti muito fazendo isso. Ah, um fato interessante: quando resolvi sair da porta do hotel para comer alguma coisa, encontrei uma tiazona que me jurou que Madonna só tem uma música conhecida: Like a Virgin. Me segurei para não rir da cara dela pois ela estava me dando dicas de como perseguir um outro ídolo e conseguir beijá-lo.
Não preciso dizer que também não dormi na madrugada de ir para a fila do Maracanã, preciso? As 4h30 da manhã estava devidamente arrumada, com as bolsas prontas e acordando todos os meus companheiros (que dormiram em média 3h naquela noite) para irmos. E claro, alguns queriam que eu desaparecesse no ar, mas pouco importava. E uma vez que todos estavam devidamente vestidos, saímos rumo ao Maracanã (e sou capaz de apostar que ele nunca paareceu tão distante pra alguém. Achei que chegaria ao Acre, mas não chegaria naquele estádio). Quando chegamos, Arthur já esperava pela gente, cercado por todas as bichinhas adolescentes do mundo, como todos sabiam que ele estaria. A fila estava pequena, mal pude acreditar. Ai, começou a parte favelada da coisa. Passamos 11h sentados em jornais, comendo porcarias, falando besteira, dizendo "não, obrigada" a vendedores, pedindo desconto em produtos que eram vendidos (né Mari? Mas pelo menos você conseguiu a camisa!), sendo mal educados com outros tantos que também eram grossos, rindo, ouvindo Madonna e pensando nas nossas reações quando cada música fosse tocada. E nessa parte entra a minha história com Like a Prayer: essa sempre foi a minha música preferida da Madonna e eu queria que fosse uma surpresa. Portanto, não ouvi nenhum áudio, vi nenhum vídeo ou li algum comentário sobre a performance. E todo mundo me dizia que era uma das melhores do show, que eu iria passar mal quando assistisse. Bem, o que realmente aconteceu entra mais pro final da história.
Na fila também encontrei pessoas que "conheço" há anos. Como a Luluzinha, minha salvadora, Marcus, Hermes, Thiago (foooofo!), Paulinho, Simba (na verdade, conheci na noite anterior, mas ok) e tantos outros. Fiquei muito feliz por vê-los e apesar do pouco tempo que tivemos, me diverti muito com cada um. Vocês também ajudaram a fazer do dia 14/12 um dos melhores da minha vida.
Os portões foram abertos as 18h, como bastante atraso. Já estávamos todos ansiosos, não queríamos esperar mais nada para ver a Rainha. O show de abertura foi bem desanimado. Quase ninguém dançava, todos estavam se poupando para o que viria dali a 1h. Acho que de todo o dia, a parte que passou mais arrastada foi o show de abertura. Queria que alguém pulasse no palco e jogasse Paul Oakenfold para fora dali, para que Ela pudesse entrar logo. Tão logo acabou o show de abertura, começou a chuva. Todos sabem que Madonna detesta chuva. Ela ficaria emburrada o show inteiro e teria um daqueles caras feios segurando a sombrina para ela enquanto estivesse cantando as músicas que são performadas no catwalk. Não queria! Não podia acontecer. Mas, a chuva insistia e Madonna entrou no palco visivelmente irritada.
De onde eu estava, o público parecia meio morno nas duas primeiras músicas. Porém, quando começou Human Nature, aquele estádio se transformou e todos começaram a cantar enlouquecidamente. O que só ficou ainda mais forte em Vogue, uma das músicas mais esperadas da noite por mim. O primeiro bloco do show passou tão rapidamente que quando eu dei por mim, já estava assistindo ao vídeo de Die Another Day, onde ela aparece vestida de boxeadora (e LINDA).
O segundo bloco começou com Into The Groove e um tombo de Madonna. Que ficou visívelmente irritada, mas disse "fuck it" e daí pra frente, parece que o show começou a fluir com mais naturalidade. Ela se soltou, conversou com o público (mesmo que pouco), chorou em duas músicas do terceiro bloco (o que me fez chorar também e compulsivamente). É ainda disse "I must love you" ao final de You Must Love Me, o que me fez enlouquecer completamente.
La Isla Bonita foi outro momento mágico do show, bem como Miles Away. Na primeira, quando olhei para a área vip, todas as pessoas estavam dançando como ciganos e batendo palmas no rítimo da música. E de onde eu estava também todos batiam palmas (dançar era impossível, a menos que as 29 mil pessoas que estavam espremidas daquele setor o fizessem ao mesmo tempo). Miles Away porque eu comecei a lembrar de tanta coisa, mas de tanta coisa e aquilo começou a me deixar meio abatida, meio pensativa, mas acabei de esfolar a minha garganta (era o que eu achava) cantando essa música. Músicas que soam meio biográficas me tiram completamente do sério. E nesse momento, outra imagem linda: toda a arquibancada, o lado esquerdo da pista e a pista VIP com as mãos pro alto, batento palmas junto com ela e cantando o "so far away" que tanto me fez chorar.
E finalmente, começa o 4º bloco e para mim, o mais surpreendente do show. Primeiro, porque eu não gostava das versões de 4 Minutes, Hung Up e Ray Of Light. Depois, porque Like a Prayer fazia parte desse bloco e eu ainda não sabia o que me esperava. Quando começou a introdução de 4 Minutes e todo o Maracanã começou a cantar, mais animado do que nunca, e eu percebi que ela funcionava perfeitamente ao vivo. Não sei se pela emoção de estar olhando pra Madonna (porque no meu caso, até Jimmy Jimmy funcionaria bem) ou porque os fãs são exigentes demais e não tinha nada nessa performance que já não tivesse sido apresentado na promo tour do Hard Candy. O mesmo serve para Hung Up e o péssimo riff de Satisfaction dos Stones e Ray Of Light, que nada mais é do que uma repetição da turnê anterior. As três foram as faixas mais pulsantes do show, surpreendentemente. Ao fim de 4 Minutes, todas as pessoas que estavam comigo, começaram a me olhar, esperando que eu fizesse algum acoisa. E eu não consegui entender nada do que estava acontecendo até que um "and it feels like" foi cantado. Era Like A Prayer! O meu momento. E eu não conseguia me mexer, fiquei completamente petrificada e soluçando. Vez ou outra sentia alguém pegando os meus braços e balançando, tentando me fazer pular. Até que lá pelo meio da música finalmente consegui e aí, minha garganta começou a doer de uma maneira insuportável (o que não me pediu de cantar todas as outras músicas do show!). Falta mencionar a request song, que foi aquela do show de Cardiff e da maioria dos shows da tour: Express Yourself, mas que eu fiquei MUITO feliz por ouvir. Porque pude olhar pro lado e ver a felicidade que eu sentira ao ouvir Like A Prayer no rosto da minha irmã. Já que Express Yourself é a música preferida dela. Enfim, não precisava de mais nada para que eu considerasse tudo perfeito, mas Madonna não se deu por satisfeita. O encerramento ficou por conta de Give It 2 Me, uma das minhas preferidas de Hard Candy desde o lançamento, em uma versão que primeiramente achei confusa mas que depois de algumas ouvidas, me acostumei e aprendi a gostar. Mais uma vez, o estádio enlouqueceu! E o ápice da loucura veio quando Madonna desceu do palco. Não conseguia acreditar que ela estava fazendo aquilo. Foi lindo! E, como se não bastasse quase matar 80 mil pessoas durante o show, Madonna nos mata ao sair do palco colocando Holiday pra tocar e fazendo todo o estádio (ainda em estado de graça) começar a dançar!
E não teve chuva, não teve garganta, não teve cansaço físico que me fizesse deixar de aproveitar um segundo do show. Na volta pra casa, ainda loucos por causa da loira, cantamos as músicas pela rua, alguns dançaram Nobody Knows Me em esteiras e todo mundo teve mais orgulho ainda de dizer: EU SOU FÃ DESSA MULHER.

Sábado, 18 de Outubro de 2008

Cause I can forget about myself...

Paper clips and crayons in my bed
Everybody thinks that I'm sad
I'll take a ride in melodies and bees and birds
Will hear my words
Will be both us and you and them together
Cause I can forget about myself, trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
And please my day
I let you stay with me if you surrender
Marcelo Camelo e Mallu Magalhães - Janta
[...]
Não sei andar de bicicleta. Nunca subi em árvores. Nunca terminei uma borracha. Nunca brinquei na rua. Nunca fiquei de recuperação. Colei em provas. Já menti. Já deixei que levassem a culpa por mim. Nunca trai. Já desisti de coisas importantes. Não sabia perdoar. Guardo rancor. Me magoo facilmente. Sinto muito: tudo e o tempo todo. Choro por qualquer coisa. Choro de felicidade, de raiva, de tristeza...E também rio muito e as vezes sem motivo. Falo pouco. Observo. Julgo sem conhecer. Sou inconstante e superprotetora. Amo desesperadamente: as minhas pessoas, a literatura (mesmo quando tenho minhas crises com ela), a musica e o cinema. Assisti Bonequinha de Luxo mais do que dez vezes e ainda acho magico. Nunca terminei um filme do Bergman. Adoro comédias românticas. Não gostei do Cidadão Kane. Ah, também nunca li Oscar Wilde. Li todos os Harry Potter's e o volume único de Lord Of The Rings. Fui Simone de Beauvoir em outra vida. Virginia Woolf escreveu a minha biografia. Sérgio Sant'Anna e eu seriamos bons companheiros de boteco. Fujo da realidade. E, por isso, estou sempre me explicando através de personagens: Charlotte, Chandler, Drew, Rick, Sabrina, Martin, Alvy, Claire...E a lista nunca tem fim. Não sei se quero ser Audrey Hepburn ou Greta Garbo. Jornalista ou professora. Não sei prefiro doce ou salgado. Chuva ou sol. Sorvete ou pizza. Claro ou escuro.
[...]
(Um dia ainda me encontro)

Domingo, 5 de Outubro de 2008

Conversa de botas batidas

1 : _ Veja você onde é que o barco foi desaguar.
2 : _ A gente só queria o amor...
1 : _ Deus parece às vezes se esquecer!
2 : _ Ai, não fala isso, por favor! Esse é só o começo do fim da nossa vida. Deixa chegar o sonho. Prepara uma avenida que a gente vai passar...
1: _ Veja você, onde é que tudo foi desabar. A gente corre pra se esconder...
2: _ ...e se amar, se amar até o fim.
1: _ Sem saber que o fim já vai chegar... Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga. Já não vejo motivos pra um amor de tantas rugas não ter o seu lugar.
2: _ Abre a janela agora, deixa que o sol te veja. É só lembrar que o amor é tão maior,
que estamos sós no céu. Abre as cortinas pra mim, que eu não me escondo de ninguém. O amor já desvendou nosso lugar e agora está de bem.
(Silêncio desconfortável e interminável)
1: _ Diz, quem é maior que o amor? Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora.Vem, vamos além. Vão dizer que a vida é passageira...
2: _ ...Sem notar que a nossa estrela vai cair.

(Eu tenho certeza que o Marcelo Camelo me perdoaria por isso. E afinal, quem nunca teve uma dessas? Hoje na viagem comecei a pensar em como ficaria na forma de texto e pra mim, é assim que fica.)

Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Exatamente onde eu queria estar.

Sabe quando você tem a sensação de que tudo na sua vida está na mais perfeita ordem?
Sabe quando você tem vontade de andar na rua dizendo "olá" pra todo mundo?
Sabe quando você está tão feliz que fica se sentindo estúpido?
Sabe quando você ama tanto que consegue perder uma noite em claro relendo cartas, ouvindo as músicas que te lembram um momento qualquer e pensando na sorte que você tem?
Então, eu estou exatamente desse jeito. Morram todos de inveja. :*

(E muito disso tem ligação com você...)

Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Somethings in life may change, somethings stay the same.

Bem, eu não me lembro, exatamente, quando escrevi isso. Mas foi em algum dia de novembro/dezembro de 2007. Não sei porque postar agora, acho que talvez porque eu ande sentindo isso. E engraçado, é extremamente parecido com um dos meus contos preferidos e eu ainda nem conhecia o tal conto quando escrevi. Acho que pela semelhança eu tive tanto medo de mostrar isso pra alguém antes. Mas, ah...foda-se. E ahm, um diálogo parecido com esse aconteceu e foi a motivação pra escrever isso. E nem precisa ler até o final. É um saco mesmo.

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Hoje acordei me perguntando: se eu morresse amanhã, o que ficaria para as pessoas se lembrarem? Sim, talvez eu tenha trazido algo de positivo para algumas pessoas. Mas e para mim? Minha vida foi sempre a mesma. Você me olha com essa cara de quem diz que tenho apenas 20 anos. Sorri como quem pede para que eu não sofra, para que não me atormente. Eu insisto na pergunta. Ouço o seu silêncio em resposta. Para mim, tudo bem. Eu não esperava que você mentisse para me consolar. Você nunca faria isso. E gosto das coisas assim.
Vamos recapitular essas duas décadas: passei pela vida de tantos homens quanto pude e me permiti certo envolvimento com alguns. Me fizeram feliz, mas se cansaram quando eu ainda não havia me cansado. Hoje não me permito mais. Me mudei para outra cidade, uma cidade com opções e continuo levando uma vida provinciana e regrada. Você sabe que eu não esperava por loucura ou que as coisas saíssem de controle. Só queria um pouco de novidade e nunca acontece. Talvez eu tenha crescido, como você diz. Admito que aprendi algumas coisas, mas de nada serviu! Não preencheram as minhas interrogações. Aquela dorzinha chata e insistente continua no peito. E eu não consigo saber em que parte do caminho a vida genial que eu tinha planejado se perdeu.
Sim, eu sei que faz pouco tempo que estou aqui. Que levará mais algum até que as coisas se ajustem. Sei também da minha impaciência. Mas esperava que você entendesse a minha fome de vida. Você compartilha dela, embora tenha medo. Ok, não façamos com que isso se torne sobre você. Para que você fique é sempre preciso que seja sobre outros. Acho que já me acostumei a falar e nunca ouvir, não será problema. Fique e prometo não desviar de novo o assunto. “O que fazer para ser grande?”, foi ai que começamos a conversa. Sou um “quase tudo”. E isso é nada. Preferia conhecer apenas um tema e poder sustentar uma conversa de horas sobre ele. Nunca perder a discussão para quem pensasse o oposto, sabe? Eu sei que sabe. Você também não gosta de como essa palavra soa: perder. Per-der. Um tanto feio, não é? Mas, ao invés disso, posso sustentar vários pequenos diálogos sobre assuntos variados...Sim, meu amor, reconheço que conhecer apenas um tópico é ser limitado. Porém, eu já saberia o que fazer! E acho que encontramos agora justamente o ponto onde peco: na vontade de explorar todas as minhas potencialidades. É impossível! E eu não sei me contentar com o segundo lugar. Sou naturalmente competitiva, como você também é.
Mas, mais uma vez, voltemos a mim. Antes, porém, permita-me dizer que me inquieta toda essa reserva. Fazem anos e ainda fazemos os mesmos joguinhos. Eu gostaria mesmo de poder me aproximar. Analisar suas cores, seus traços...Fazer de você um simples desenho de criança. Mas você insiste em ser uma pintura surrealista. Não, eu não vejo mais graça em todo esse mistério. Sei que foi idéia minha, mas agora gostaria de pelo menos um nome. Você deve ter um nome! Diga...Se você preferir, eu posso fingir que não sei. Eu sou transparente! E gosto de reciprocidade! Não amor, não se levante. A gente pode esquecer esse assunto. Sente-se. Eu te pago outra bebida, se você quiser. Você quer? Então tudo bem, meu bem. Só fique, viu? Eu não me importo com o seu silêncio. Posso continuar a conviver com ele. Preciso que você fique.
Oh, então quer dizer que você percebeu? E vai se aproveitar disso exatamente como os outros! No fim, eu não esperava que você fosse melhor do que eles. Sabia que o dia em que você perceberia viria. E estou preparada. Se aproveite da minha fraqueza. Eu não vou tentar nega-la. Não depois de me submeter aos seus caprichos por um pouco de companhia. Eu não sou independente. Nem auto-suficiente. Há tanta coisa de que preciso...Sim, não passa de pose. Você achou a palavra certa. P-O-S-E. Eu gostaria de poder te explicar porque finjo, mas não posso. E não devo, também. O fato é que a solidão dói, meu bem. Mas você não sabe o que é isso. Está sempre cercado de gente que te admira. Todos eles querem ser como você. Enquanto eu só tenho essas duas horinhas diárias de conversa. Sei que isto significa decadência, mas o que se pode fazer quando não se sabe “existir sozinho”?
É, talvez me falte afinidade comigo. Mas acho que dizer apenas isto seria permanecer na superfície. Não diria porém que tem a ver com sexo. Isso posso ter quando quiser. Você mesmo reconhece que é fácil. Tem a ver com dependência psicológica, saca? É como se você fosse a droga que tomo todos os dias e meu corpo sentisse necessidade de você correndo em minhas veias. Como se quando eu me recusasse a tomar a minha dose, os efeitos da abstinência começassem a aparecer. Cada vez mais fortes e violentos. E não parassem até que meu corpo sentisse você de novo. Porém, repito, não é físico. Você é até bonitinho, mas não rola aquela vontade de levar pra cama. Gosto desse seu jeito Humphrey Bogart. Você tem o cinismo dele num noir dos anos 30. E aquele charme cruel e irritante. Mas não te levaria pra cama. Você está tentando entender? Pois eu pediria que não tentasse, Bogie. Você pode perceber que nada o mantém aqui. Que nosso contato não é saudável. Pode querer viver somente a outra vida. E eu não quero que você queira. Sei que essa pode ser insana e asfixiante, mas ela te diverte. Te dá o que pensar por horas a fio. “É loucura?”,“O que pensará ela?”. Embora você insista no mistério, são questionamentos previsíveis. E eu não penso nada. Nada. Não é prático para mim mantê-lo próximo, embora as vezes te faça perguntas. Assumo que gostaria do “mistério revelado”, mas só porque você já revelou o meu. Mas, o meu lado são me disse que as coisas são boas exatamente como estão. Venho aqui, falo com você, você ouve e depois vai pra casa. Eu vou pra casa e tudo sobre o que falamos, continua aqui. Parte de uma outra realidade. Excitante, mas que nunca será a minha. E tampouco a sua. Pois você me vê só por hábito.
Não há problema em dizer isso. Você acha mesmo que sua atuação me convence? Pois não. Sei que no fundo você me despreza e me julga, como todo mundo. Sei que ri do meu desespero, da minha vontade de permanecer depois que este corpo se for. Você deve se perguntar quando eu vou crescer. E deve estar se respondendo também. “Talvez este dia nunca chegue”. Posso imaginar até mesmo o sarcasmo no seu tom. E não posso negar que tens razão. Olho todos os dias a mesma cara marcada e embriagada no espelho e ela também me cansa. Não, você não precisa dizer que sou jovem. Porque ambos sabemos que não sou. Juventude tem a ver com estado de espírito. E eu sinto exatamente o cansaço que aparento, meu caro.
Chega. Não me dê mais atenção por hoje. Vá para casa. Eu vou ficar por aqui mais um pouco. Amanhã esteja aqui no mesmo horário. Com certeza terei perguntas a fazer. Por favor, não insista em ficar. Eu não preciso de babá. Vá. Você tem a sua vida. Deixe-me aqui, porque eu sequer tenho para quem voltar. Vou continuar pensando sobre os meus sonhos, talvez alguma coisa comece a fazer sentido. Vá, meu bem. E me prometa que voltará amanhã, pois talvez seja este encontro a única coisa que preenche os meus dias. E durma bem. Uma última coisa: eu sei que não preciso pedir, mas não pense em mim no caminho.

Domingo, 10 de Agosto de 2008

Death Cab vrs Dostoiévski

Bem, os dois não têm qualquer semelhança. Death Cab é só mais uma bandinha indie, daquelas que surgem 800 todos os dias e nenhuma tem nada de especial, e Dostoiévski dispensa os meus comentários. Mas o embate surgiu em um momento de dor e eu ainda não sei se a minha escolha foi a certa. Mas foi uma escolha. É ir com ela até o fim, como tantas vezes eu já fiz. Optei por Dostoiévski.

Contextualizando: estava escrevendo uma carta para uma pessoa, parte importante da minha vida. Explicando para ela porque, desde o nosso começo, ela foi tão importante assim. Com todos os detalhes que eu consegui me lembrar desses 8 meses. E essa pessoa estava indo embora. Não como quem vai, mas um dia volta e te deixa feliz de novo. Simplesmente indo, para talvez não voltar nunca mais. Se um dia alguém importante já saiu assim da sua vida, você sabe do que falo. O Death Cab insistia na atitude desesperada que faz a outra pessoa voltar atrás, enquanto Dostoiévksi me dizia pra ficar calma, porque minha vida não era mais vazia e eu tive o meu instante de felicidade.

E como já disse, resolvi ouvir ao Dostoiévski. Em parte, porque isso tornaria as coisas mais fáceis. Mesmo em pedaços e contrariando a minha natureza (atitude conformista e Amanda coexistindo? Err...). E para as duas partes. Para mim, por razões óbvias: é mais fácil aceitar as coisas passivamente do que levantar e brigar pelo que você quer. E para o outro lado da história porque haveria menos drama, porque eu sei que não é difícil só pra quem fica e claro, porque eu não quero machucar alguém que amo. E porque eu acho que um instante de felicidade é realmente suficiente para toda a vida. Claro que eu gostaria de uma vida inteira de felicidade, mas pelo menos agora eu já posso dizer que algum dia os meus dias tiveram cor...

Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Maior que três.

Be, be the one I need
Be the one I trust most
Don't stop inspiring me

No Doubt - Running





Não vou falar muito. Basta que uma pessoa entenda.

Já tentei explicar, pra você e pra mim, qual o significado de tê-la na minha vida e me dei conta de que as palavras são fracas e descartáveis. "Easy words". Então, o que se pode fazer é calar ou tentar demonstrar - o que faço agora.

Você é a minha regra e também a exceção. Regra de todos os dias e todas as noites, quando eu ignoro todas as minhas obrigações para ficar mais um tempo conversando com você. Exceção porque me faz agir como eu não agiria. E mesmo quando eu não sabia que te amaria tanto, já estava claro que a nossa história iria contradizer tudo o que eu sabia sobre mim.

Você é quem está longe e eu mais queria que estivesse perto. Pra acalmar meu coração. Você é quem eu vou roubar pra mim. Porque todos os dias antes de você parecem incompletos e porque agora não existe mais vida sem você. Demorei duas décadas pra encontrar e agora não largo nunca mais.

Você é o meu assunto preferido. E eu posso falar sobre horas e horas. Seja do quanto você é linda, do quanto eu admiro cada detalhezinho em você, do bem que você me faz. Do quanto você me ensina e me melhora a cada dia, com cada conversa e até mesmo a cada briga.

Eu queria dizer coisas bonitas, profundas, complexas... Mas com a gente sempre foi tudo tão simples, tão natural que eu nem sei se caberia alguma coisa do tipo. Então, eu opto pela simplicidade mesmo, porque ela cabe bem.

E pra terminar, se "eu te amo" é o que existe de mais forte para designar carinho, admiração e vontade de ter por perto até o fim da vida, então: eu te amo. Muito.

Terça-feira, 3 de Junho de 2008

And so it is...


Quase filosofia de vida.